terça-feira, 31 de dezembro de 2013

31/12/12

Estranho. Estranhos.
Não mais conhecidos. Não mais amantes. 
Eram dois estranhos dividindo um mesmo espaço.

Ela, outrora chorosa, se arrumou com calma.
A certeza do que seria a última lembrança pesava no ambiente.
Usava um vestido preto de paetês, glamour no luto iminente.
Sabia que o próximo ano seria de perdas.

Ele, desesperançoso sobre o finado romance, se arrumou em silêncio.
Sabia o que não sentia mais. Sentia o que nunca soubera explicar. 
Mas por quem, além de si? Ninguém.
Entre risos sem jeito, deitaram-se lado a lado.
Não havia mais nada. O amor era uma lembrança vaga. 
Ela sentia dor. Ele, pesar. 

Lá fora, o mundo soltava fogos de artifício, casais se beijavam apaixonados.
Ali dentro, o silêncio reinava. 
Lábios se encostaram. 
Sem movimento, sem sorrisos, sem calor.
Um abraço desconfortável.
"Te amo..." "...também te amo..."
Combinaram um sorriso falso, cumprimentaram a família, voltaram ao refúgio.
Ela se despiu lentamente, ele observou calado. 
Nada. Sentiam nada. Sentiam tudo. 

Ela, com aquela camiseta que ele tanto gostava de ver nela. 
Ele, com a velha camiseta do Korn.
Dois estranhos dividindo um mesmo espaço. 
Destinos desiguais? Mesmo?
O sono profundo demorou a chegar naquela noite, naquele ano. 

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